Clube Patagonia
Destinos

Torres de Avellano

Um trekking especial onde o silêncio é protagonista.

Robson Pasquali 29 de ago de 2026 5 min de leitura

Muita gente fala de Torres del Paine, que é lindo, mas existe um lugar tão especial quanto e que merece ser visitado na Patagônia Chilena.

Torres del Avellano Tem alguns lugares que a gente conhece e imediatamente pensa: como eu nunca tinha ouvido falar disso antes? As Torres del Avellano foram assim para mim. Depois de tantos anos andando pela Patagônia, eu achava que já tinha uma boa noção do que poderia encontrar por aqui. Desde 2012 venho percorrendo esse pedaço do mundo. Já corri, pedalei, fiz triathlons, subi montanhas, atravessei trilhas e dormi muitas noites em lugares onde o vento parecia não dar trégua. E mesmo assim a Patagônia continua conseguindo me surpreender. Avellano foi uma dessas surpresas. Talvez porque chegar lá ainda dê trabalho. Não existe aquela sensação de atração turística pronta esperando por você. É preciso caminhar. Carregar mochila. Montar acampamento. Dormir no meio da cordilheira. Acordar e continuar. E eu gosto disso. Gosto da ideia de que alguns lugares ainda exigem alguma coisa da gente antes de se mostrarem. Conforme fomos entrando na montanha, tudo foi ficando para trás. Estrada, carro, sinal de telefone, conforto. Até sobrar pouca coisa. A mochila nas costas. O barulho dos passos. O vento. As montanhas. E aquela sensação que eu conheço tão bem e que, mesmo depois de tantos anos, continuo procurando. A sensação de estar longe. No dia em que seguimos até o lago aos pés das Torres, lembro de olhar para aquelas paredes enormes de granito e ficar alguns minutos simplesmente observando. Talvez quando eu era mais novo eu estivesse preocupado em chegar mais rápido, subir mais alto, fazer uma foto ou conquistar alguma coisa. Hoje é diferente. Tenho cada vez menos necessidade de conquistar a montanha. Quero apenas estar nela. Sentar. Olhar. Sentir frio. Tomar alguma coisa quente. Conversar com quem está comigo. E guardar aquele momento em algum lugar da memória. Acho que envelhecer um pouco também muda nossa relação com essas coisas. Continuo gostando do esforço, do cansaço e da aventura. Talvez até mais do que antes. Mas hoje entendo que o melhor da montanha muitas vezes acontece justamente quando a gente para. E Avellano me lembrou disso. Também percebi outra mudança em mim. Durante muitos anos viajei para descobrir lugares. Hoje sinto uma satisfação diferente em voltar e levar outras pessoas comigo. Mostrar um caminho que me impressionou. Esperar alguém chegar. Ver a reação no rosto de quem está enxergando aquilo pela primeira vez. É quase como conhecer o lugar novamente. Talvez o Clube Patagônia tenha nascido um pouco disso também. Da vontade de não guardar essas experiências somente para mim. Mas sem transformar tudo em turismo rápido, fotografia e checklist. Quero continuar chegando aos lugares do jeito que sempre gostei de chegar: caminhando, cansando, conversando com as pessoas locais, dormindo no caminho e entendendo um pouco melhor onde estou. Avellano representa exatamente isso. Não sei quantas vezes ainda vou voltar para a Patagônia. Espero que muitas. Mas uma coisa eu sei. Mesmo depois de tantos anos por aqui, ainda existem caminhos capazes de me fazer sentir como aquele cara que chegou à Patagônia pela primeira vez em 2012, olhou em volta e pensou: eu preciso conhecer mais disso. As Torres del Avellano fizeram isso comigo outra vez.
Bora pra Patagônia?

Leu até aqui: que tal viver isso de verdade.

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